quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

WikiLeaks - Quem é o Batman?

O site WikiLeaks divulgou documentos secretos americanos que estão mexendo com o mundo. Alguns analistas econômicos e da imprensa - normalmente os professores de Deus que não admitem errar - dizem que nenhum documento trouxe novidades. Não entendem que nenhuma análise bem fundamentada que dê 99,99% de certeza será mais contundente que uma prova escrita, real e incontestável. E como sempre acontece diante de fatos inesperados, os EUA e seu fiel escudeiro Reino Unido tentam mudar o foco, valorizando o crime de invasão cometido por hackers.

Para não chover no molhado, transcrevo o primeiro parágrafo da história da Internet descrita na Wikipedia: "A Internet surgiu a partir de pesquisas militares nos períodos áureos da Guerra Fria. Na década de 1960, quando dois blocos ideológicos e politicamente antagônicos exerciam enorme controle e influência no mundo, qualquer mecanismo, qualquer inovação, qualquer ferramenta nova poderia contribuir nessa disputa liderada pela União Soviética e por Estados Unidos: as duas superpotências compreendiam a eficácia e necessidade absoluta dos meios de comunicação. Nessa perspectiva, o governo dos Estados Unidos temia um ataque russo às bases militares. Um ataque poderia trazer a público informações sigilosas, tornando os EUA vulneráveis. Então foi idealizado um modelo de troca e compartilhamento de informações que permitisse a descentralização das mesmas. Assim, se o Pentágono fosse atingido, as informações armazenadas ali não estariam perdidas. Era preciso, portanto, criar uma rede, a ARPANET, criada pela ARPA, sigla para Advanced Research Projects Agency. Em 1962, J.C.R LickLider do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) já falava em termos da existência de uma Rede Galáxica."

Sem longas avaliações, a verdade é que um instrumento criado e disseminado democraticamente como aconteceu com a Internet, fez com que o criador perdesse completamente seu controle sobre a criatura; e de forma irreversível. Nesses meus quase 20 anos de Internet (desde 1991 quando fiz parte dos primeiros 1500 usuários do Projeto-piloto Embratel), nunca acreditei que uma Rede Mundial de computadores pudesse garantir confidencialidade absoluta. A partir do momento em que se "pluga" um computador numa rede, coloca-se uma porta de entrada e saída de dados. Fechaduras, trincos e alarmes numa casa nunca foram garantia de segurança contra os amigos do alheio.

Quando nossa privacidade é invadida e nos sentimos agredidos, recorremos à justiça. Ela coloca o agressor nos tribunais diante de nós e a decisão se baseará em fatos, provas e argumentos para fazer valer a lei. No entanto, o que acontece quando a invasão de privacidade atinge a credibilidade da própria lei? E no caso do site WikiLeaks, a credibilidade das leis internacionais que acobertam os métodos paradoxais da diplomacia sórdida, hipócrita e interesseira (redundância)?

Essa revelação sobre os apelidos de Batman e Robin que os diplomatas americanos deram a Dimitri Medvedev e Vladimir Putin, é o de menos. Não imagino que Amorim, Lula, Ahmadinejad e Chávez quando estão juntos, se refiram ao presidente dos EUA, ministros da Inglaterra e Israel de forma menos jocosa. Nem Putin e Medvedev quando se referem a Obama. Sobre Dilma, sejam meias ou inteiras essas verdades, aconteceu durante a ditadura e essas denúncias de roubo a bancos e resistência armada cansou de circular no Brasil pela internet no período eleitoral.

Enfim, a formalidade diplomática só existe em reuniões e aparições públicas. Trocarão os diplomatas envolvidos e tudo voltará à hipocrisia de sempre. O WikiLeaks apenas mostrou TEXTUALMENTE o que todos sempre imaginaram, pois, ninguém é tão ingênuo a ponto de acreditar que a diplomacia visa o bem da humanidade. Formam um bando de egoístas de inteligência limitada e acreditam que seus países estão em outra galáxia, imunes às catástrofes do Planeta Terra. Prova disso foi a constatação por meio do WikiLeaks de que superpotências de ideologias antagônicas como os EUA e a China estão formalmente unidas em torno de interesses que insultam a lógica do bem comum, apoiando o capitalismo selvagem e insensíveis às suas consequências. A revelação de documentos que mostram esses dois países representando papéis combinados no TEATRO DIPLOMÁTICO contra a adoção de metas para a redução de gases tóxicos, foi a grande bomba que implodiu as poucas esperanças de humanistas e ecologistas.

Essas constatações fazem mudar de opinião os que consideravam o Greenpeace e outras ONGs, entidades inconvenientes e radicais. E os EUA ainda chamaram os responsáveis pelo WikiLeaks de terroristas, numa hipócrita inversão de valores. Invasão de privacidade é crime, mas afinal, quais são os que REALMENTE estão cometendo atentados terroristas contra o Planeta e contra a humanidade?

Quais os verdadeiros Batmans, Robins, Coringas e Pinguins dessa história de horror em quadrinhos; dessa ficção-verdade?



-o-


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